quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

V.



Dentro do sonho
(Eu)
Destituído e só
O meramente pó,
De outros olvidado
E cínico...

Dentro do sonho
(O teu),
Desdobrando-me
Em corpos siderais,
Passo o horizonte,
(Os sinais),
O perpétuo logos,
O sul...

... Outro corpo,
(A pele)
Me sinaliza
Do interior do ventre,
Inerte.

II

Toda manhã
Cismando aforismos...
Esquartejando meus ideais,
Lustrando esse vazio
Corruptor do ego.

Toda manhã
Imaginando o fim das coisas,
Contando imagens
Desmanchadas em bocas,
Em loucas alegrias tolas!

Toda manhã
Catando essa insanidade minha,
Desfigurando fotografias
Velhas, lembranças findas!

Toda manhã
Arrebanhando centauros,
Ouvindo ninfas ao longe,
Preso ao Eu, tal Ulisses
No mar solitário...

Quisera todas as manhãs
Destilassem o mesmo fel dos dias
E tornassem essas alegorias
Em prantos, em silêncios,
Idiossincrasias!

Quisera todos os amanhãs
Fossem desprendidos dos relógios e ponteiros
E compromissos e tudo do outro,
No outro inteiro!

Ah, que os amanhãs
Me sangrem o corpo,
Me banhem na imensidão
Das coisas, das horas
Jogadas sobre a grama!

Ah, que os amanhãs
Cheguem como caracóis,
Devagar, bem devagar
No caminho de cada um de nós!

Mário Gerson
Poeta

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